terça-feira, 30 de julho de 2013

Telefone e internet não se misturam


Certas tecnologias da vida moderna nunca me seduziram, muito pelo contrário, me irritam mortalmente. E já deixei isto bem claro neste blog quando escrevi “Quem pegar o celular paga a conta”; diga-se de passagem, uma ideia genial. Além disso, nunca entendi o que passou na cabeça de Steve Jobs quando resolveu misturar telefone com internet. Para mim telefone é uma invenção espetacular que serve apenas para falar. E como nós mulheres gostamos de falar ao telefone!

O meu espetacular plano de celular me permite falar com metade das minhas amigas de graça, o tempo todo pelo tempo que eu quiser. Para a outra metade das amigas tenho alguns minutos de bônus e quando eles acabam pago uma tarifa bem baratinha, o que me permite fazer uma das coisas que nós mulheres adoramos: falar, e falar muito. E eu uso adequadamente tudo o que meu plano me proporciona. (Ah se não fosse este plano...eu estaria falida...mas duvido muito que estivesse muda)

Então, cada coisa com a sua função: telefone é pra falar; computador e tablet para navegar na internet. Juntar os dois pra quê, se funcionam tão bem separados?

E eu tentei propagar esta minha ideia, mas sem muito sucesso. Minha filha sempre teve vontade de ter um smartphone, mas eu dizia: “Para quê, se você tem computador, tablet e telefone? E além disso, você pode falar de graça comigo pelo tempo que quiser!” (O martírio de todo adolescente: ter uma mãe que fala de graça. Pra eles o ideal seria se ligações da mãe custassem R$ 500,00 o minuto. Mas nós mães nunca enxergamos isso.)

Um belo dia, o maldito telefone que fala de graça com a mamãe aqui caiu no chão e se espatifou. Depois de muita insistência ela me convenceu a comprar um smartphone. Pesquisei várias marcas e modelos e resolvi comprar um para ela. Acabei comprando um para mim, mas já fiquei mal humorada só de pensar o tempo que iria perder tendo que aprender toda aquela tecnologia que tanto fiz questão de fugir.



Só sei que foi assim... Fui mexendo, o tempo foi passando, fui mexendo, tava mais fácil do que imaginava, fui mexendo, entrei na internet, fui mexendo, entrei no facebook, continuo mexendo e já não tenho mais certeza se minha teoria de que internet e telefone não se misturam está correta. Mas quem tirar o celular do centro da mesa paga a conta! Espero que não seja eu.

domingo, 30 de junho de 2013

Memórias

Ontem, num momento muito alegre e especial na roda de samba, meus amigos tocaram Folhas Secas, de Nelson Cavaquinho. Apesar da melodia quase triste, a letra é uma exaltação às memórias alegres que o autor tinha de sua juventude, da escola de samba e do morro da Mangueira. No meio da conversa animada, dois amigos falavam do samba do Rio de Janeiro e de um grupo chamado Sururu na Roda que haviam visto tocar.

Coincidentemente, hoje pela manhã, como  em todos os domingos, liguei a TV para assistir ao programa Sr. Brasil, do Rolando Boldrin e lá estava o Grupo Sururu na Roda, cantando Folhas Secas. Foi nesse momento que uma memória muito antiga da minha infância invadiu a minha cabeça. Me vi deitada no cantinho da cama da minha mãe, fingindo dormir enquanto ela assistia ao Fantástico tomando Coca-Cola, como fazia todos os domingos à noite. Folhas Secas tocava na TV e minha mãe cantava junto, demonstrando gostar demais daquela música. Talvez esta lembrança tenha marcado tanto minha memória de infância porque eu nunca tinha visto minha mãe ouvir música, muito menos cantar. 

Ela era uma pessoa muito fechada, acredito que trazia consigo uma tristeza muito grande, provavelmente causada pela viuvez tão prematura. Claro que eu era muito pequena para identificar a música, mas aquilo tinha sido tão marcante que anos depois eu pude reconhecer a melodia pela lembrança dela cantando. Coisa que ela jamais faria se tivesse percebido que eu estava acordada.  

Depois de tantos anos, acho que hoje compreendi que ela tinha sim uma alegria muito grande no coração, mas que os percalços da vida fizeram dela uma pessoa triste. E, a partir disso, compreendi quase tudo que esteve fora do compasso.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Como as coisas deveriam ser e como as coisas realmente são

Você quer conquistar uma mulher: trate-a bem;
Você quer conquistar um homem: trate-o mal.

Mulheres gostam de gentilezas;
Homens gostam de desafios.

O sonho de toda mulher é que o cara veja a mulher por trás da mulher. Nós nunca entregamos o jogo logo de cara, queremos que os homens percebam as intenções por trás das intenções. O problema é que os homens são criaturas rústicas. A grande maioria é desprovida dos mínimos níveis de sensibilidade. Para eles tudo tem que ser simples e claro. Jamais vão tentar ler nas entrelinhas; até porque eles não percebem nem mesmo a existência das linhas.

Então como dois seres tão diferentes vivem a procurar uns pelos outros?


Não me venha com essa história de “os opostos se atraem”. Os opostos brigam. Os minimamente maleáveis é que se dão a chance de se atrair. A natureza faz o resto.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Vontade de Sentir Saudade

Hoje eu senti uma vontade imensa do sentimento de nostalgia. Então tentei relembrar nossos momentos bons. Na biblioteca do computador tentei encontrar a nossa música. Entre tantos aromas da perfumaria tentei encontrar o seu. Procurei seu sorriso entre as minhas lembranças. Tentei pensar o que você pensava quando foi escolher aquele presente para mim. Tentei lembrar de que cor eram as rosas que você me deu. Procurei na memória os momentos de paz vividos ao seu lado. Qual havia sido o motivo da última crise de gargalhadas?
 
Aos poucos a vontade de sentir saudade foi se dissipando. Procurei lembrar daqueles bons momentos que ficam guardados na memória para sempre, mas não os encontrei. Eu não encontrei a nossa música porque nunca tivemos uma. Seu cheiro nunca foi marcante o suficiente para que minha memória conseguisse fazer algum registro olfativo. Também não me lembro do seu sorriso. Acho que você não fazia isso com muita frequência. Também não consegui imaginar o que você pensava ao escolher um presente para mim, porque você nunca me deu um presente, sequer uma modesta flor. Então procurei alento nas memórias daqueles momentos de paz vividos ao seu lado, mas os conflitos e brigas encobriram por completo qualquer tipo de lembrança pacífica. Será que um dia existiu algum motivo para rir? Queria muito ter vontade de sentir saudade, mas você não deixou motivos suficientes.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Desaniversário


Eu nunca gostei de fazer aniversário. Nada a ver com o fator idade. Tenho 40 anos, tinha 39 ano passado e farei 41 mês que vem. Não uso botox e minha idade está estampada na minha carteira de identidade, nos meus pés de galinha e no meu bigode chinês. Definitivamente não tenho problemas com a idade, mas tenho problemas com aniversários.

Me diga, para que festa de aniversário depois que você ultrapassou os 10 anos de idade?

Comemore com os amigos suas conquistas e suas alegrias à qualquer dia, não precisa ser no dia que você nasceu. E se no dia do seu aniversário você acordou de mau humor, tomou uma fechada no trânsito, o almoço foi indigesto e te deu asia, você está menstruada e com cólicas? Vai ter que fazer cara de feliz na festa de aniversário? Chato...muito chato.

Agora, mais chato que fazer aniversário é receber parabéns e felicidades quando simplesmente nem é seu aniversário. Demonstra que seu amigo é tão pouco interessado em você que nem teve o cuidado de se certificar da data.

Agradeço as mensagens recebidas e desejo para você, em dobro, tudo de bom que realmente desejou a mim.

P.S.: Não é praga de cigana não!!!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pegou o celular paga a conta


Nada mais sociável do que sentar no bar com amigos, certo? 

Mas, e se nesse momento de descontração seus amigos estiverem olhando para seus próprios celulares e interagindo nas redes sociais?

Bom, então estão gastando tempo e cerveja à toa. Melhor seria ficar em casa e socializar pela net.

Além de irritante, acho isso extremamente grosseiro com o trouxa que está te fazendo companhia na mesa do bar.

Minha filha então veio com uma ideia que achei genial: quando ela e seus amigos vão para um barzinho, colocam todos os celulares no centro da mesa, quem pegar o celular para navegar paga a conta.

sábado, 30 de março de 2013

UM ABRAÇO


Tenho uma amiga de Campestre que eu admiro pelo jeito como ela é.  Só pra dar um exemplo, um dia eu estava na casa dela e ela me convidou para o jantar. Foi no quintal, matou uma galinha e, daí a pouco, jantamos uma espetacular galinha caipira. Acho que mesmo se eu estivesse sem comer há um mês não conseguiria matar uma galinha. Algumas pessoas têm habilidades e disposições que outras não têm. Fato. Esta é a Célia. Ela faz certas coisas parecerem muito fáceis.


No começo dessa semana encontrei com a filha dela na rua. Ela estava falando ao celular com a mãe. Pedi para dar uma palavrinha – não falava com ela há algum tempo. Ela então me disse que havia tido um câncer de mama – detectado há 3 anos - havia feito algumas cirurgias, quimioterapia e agora estava voltando a trabalhar. Com a Graça de Deus estava curada.

Fiquei chocada pelo fato de não ter ficado sabendo de nada. Numa cidade onde todo mundo fala da vida de todo mundo, onde as línguas dos fofoqueiros a mataram três vezes – conforme ela me contou – como eu pude não ter sabido?

Hoje fui até a casa dela para fazer uma visita. Conversamos muito e conversamos muito pouco. Quando saí ela me deu um abraço. Um abraço sincero de amiga. Aquele abraço que  vem com uma mensagem simples implícita: eu gosto de você. Um abraço que me fez pensar que se ela tivesse morrido e eu não tivesse podido abraça-la, este pequeno ato teria feito muita falta. Ainda bem que recebi este abraço hoje.