Compartilhar idéias, indignações, bobagens, verdades, desejos... Enfim, pensar fora da caixa.
sábado, 30 de março de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
O Moralmente Incorreto
Nunca ouvi ninguém usar este
termo “moralmente incorreto” antes, mas achei perfeito para definir relações
afetivas doentias. Então passei a esbanjar esta expressão.
Na minha rotina de trabalho acabo
tendo contato direto com mulheres que sofrem violência doméstica. Só no mês de
janeiro, em Campestre, foram sessenta pedidos de medidas protetivas. (Você que
está lendo isso, tem noção de que Campestre tem menos de 20.000 habitantes? E
que, provavelmente, metade sejam mulheres.) Ao fazer o cadastro do caso, coloco
o tipo de violência sofrida: física,
psicológica, moral e financeira. Normalmente os casos são de ameaça e lesões
corporais, que são enquadrados como violência psicológica e física. Acho que
nunca cheguei a assinalar violência moral para nenhum caso.
Ninguém assume que recebeu
violência moral. Talvez porque as mulheres tenham um conceito de afeto meio
distorcido (Me incluo entre essas). Muitas mulheres apanham reiteradamente de
seus companheiros. A falta de amor próprio, a dependência econômica e a
dependência afetiva são fatores que fazem com que estas mulheres não deixem
seus companheiros nem busquem denunciá-los a justiça. As agressões vão se
tornando piores, chegando até mesmo a casos mais graves como homicídio.
Mas o que quero destacar entre
essas formas de agressão é a violência moral. Quantas mulheres sofrem
humilhações, torturas psicológicas, são tratadas aos gritos por seus
companheiros, presenciam quebradeiras, etc. Seus companheiros ainda batem no
peito e dizem: “Mas eu nunca encostei a mão em você!” Como se esta violência
moral ainda fosse um mérito do macho.
O grande problema é que as mulheres
têm uma natureza afetiva esquisitíssima. Nem Freud, nem Darwin, nem Santo
Antônio conseguem explicar. Elas se envolvem em relações doentias, têm plena
consciência de que seu companheiro não está acrescentando nada em sua vida,
vivem situações dolorosas, sofrem, mas têm uma dependência afetiva inexplicável
por esses machos, que as impede de dar fim definitivamente a estas relações.
Isso é o que chamo de situação moralmente incorreta. Elas sabem que aquele relacionamento é
negativo, mas uma força insana as mantêm ligadas afetivamente ao macho
moralmente agressor.
Durante algum tempo identifiquei
situações moralmente incorretas vividas por mulheres muito próximas e
desconsiderei totalmente situações moralmente incorretas vividas por mim. Ao
escrever isto, identifico esta característica genética predominante nas fêmeas dos
humanos e me esforço para que meus genes moralmente fracos sofram uma mutação
no sentido de começar a conscientizar outras fêmeas, e transformar nossos genes
moralmente fracos e ainda dominantes em recessivos.
De acordo com meu amigo Charles Darwin,
e sua teoria da seleção natural, os mais fortes sofrem mutações para preservar
a espécie. Logo, precisamos considerar a gravidade das situações vividas por
grande parte das mulheres e mostrar que temos livre arbítrio. - Vamos lá
mulheres ! Chega de violência moral. Dependência afetiva é burrice. Vamos girar
a roleta e fazer a fila andar. Se temos poder de escolha, nada de aceitar
situações moralmente incorretas.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Segundas Oportunidades
Ano passado, vi aquele ambulante
na Praça da Independência e resolvi coloca-lo como personagem chave de uma das
minhas histórias. Tinha acabado de montar a trama na minha cabeça. Escreveria
assim que pudesse ter paz para organizar as ideias e passá-las para o papel. Um
ano depois me vi na mesma Praça anotando novamente o nome do ambulante cego, o
qual eu já tinha me esquecido.
A impressão que eu tenho é de
estar retomando as coisas do ponto onde pararam. Como se eu estivesse ficado um
ano congelada em sono criogênico. Então, com a precisão de um relógio suíço,
despertei no mesmo local onde deveria ter estado um ano antes, com as mesmas
pessoas com quem eu havia furado uma ano antes, tomando a cerveja que já deveria
ter esquentado por ficar me esperando exatos 365 dias.
O impressionante é que tudo
estava exatamente como eu tinha deixado. A história estava parada no mesmo
capítulo, as pessoas continuavam me esperando no mesmo lugar e a cerveja ainda
estava gelada. Parecia que Deus havia me dado a oportunidade de retomar a vida
exatamente de onde eu tinha parado em 2012. Se os acontecimentos tivessem
ficado por aí já seria motivo para chamar a atenção para o fenômeno que estava
acontecendo; mas não. Foi uma sucessão de acontecimentos que estão mudando radicalmente
o rumo da minha vida. Como se em 2012 tivesse realmente acontecido o fim de um
mundo e 2013 estivesse nascendo novo, todo modificado. Todas as áreas que
compõem a minha vida foram alteradas para melhor. Como se Deus tivesse me dado
a oportunidade mágica de voltar no tempo e corrigir as coisas erradas, dando-me
acontecimentos iguais de presente, um atrás do outro, numa sucessão de correções.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Viver sem tempos mortos
Este texto é simples e muito verdadeiro. Belíssimo!
"A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."
"A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."
( Simone de Beauvoir)
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Desci porrada
Aquela mulher chegou na Promotoria dizendo que queria retirar a representação feita contra o marido. Ele estava preso desde sábado por ter ameaçado a esposa.
Pensei: Mais um daqueles casos em que a mulher sofre violência doméstica, mas por causa de uma estranha dependência afetiva, fica com pena do infeliz e procura tirá-lo da cadeia.
Enquanto pegava as declarações dela, perguntei se ela gostaria de alguma medida protetiva para garantir que ele ficasse longe dela. Ela disse que não.
Pensei: Já quer o infeliz de volta...
Eu estava enganada. Que ótimo!
Ela disse que não queria medida protetiva pois estava indo morar com sua irmã em outra cidade. Que estava retirando a representação porque a família dele tinha pedido. Perguntei se ela não tinha medo dele persegui-la quando saísse da cadeia. Ela disse que acreditava que ele não ia mais importuná-la.
Saindo, já na porta ela disse: Apanhei durante 10 anos em silêncio. Entrei no jiu jitsu e sábado, quando vi que ele ia me bater, desci porrada e acabei com a raça dele. Ele está lá na cadeia todo roxo.
ADOREI!!!
Pensei: Mais um daqueles casos em que a mulher sofre violência doméstica, mas por causa de uma estranha dependência afetiva, fica com pena do infeliz e procura tirá-lo da cadeia.
Enquanto pegava as declarações dela, perguntei se ela gostaria de alguma medida protetiva para garantir que ele ficasse longe dela. Ela disse que não.
Pensei: Já quer o infeliz de volta...Eu estava enganada. Que ótimo!
Ela disse que não queria medida protetiva pois estava indo morar com sua irmã em outra cidade. Que estava retirando a representação porque a família dele tinha pedido. Perguntei se ela não tinha medo dele persegui-la quando saísse da cadeia. Ela disse que acreditava que ele não ia mais importuná-la.
Saindo, já na porta ela disse: Apanhei durante 10 anos em silêncio. Entrei no jiu jitsu e sábado, quando vi que ele ia me bater, desci porrada e acabei com a raça dele. Ele está lá na cadeia todo roxo.
ADOREI!!!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Eu apenas queria que você soubesse...
Detesto poesia.
Camões que me perdoe, mas aquele negócio de métrica e rima
para o meu gosto é mais matemática que literatura.
Mas dias atrás - não me lembro quem nem qual era o assunto - ouvi
alguém dizer que poesia não é uma sequência de versos, mas é tudo aquilo que
desencadeia emoção.
Olhando desta maneira, hoje me emocionei com um filme que é
pura poesia. Fui com minha filha assistir Gonzaga – de pai para filho. Eu
sabia que ia me emocionar porque as músicas de Gonzaguinha sempre me levaram às
lágrimas e as músicas de Gonzagão sempre me trouxeram muita alegria.
As músicas em si ficam em segundo plano no filme, sem deixar
de serem colocadas como um pano de fundo perfeito para cenas feitas com uma
sensibilidade ao mesmo tempo doce e atroz. Inclusive o filme tem também músicas
de Noel Rosa e Nelson Gonçalves colocadas em situações perfeitas que dão
perfume às cenas.
Os conflitos vividos entre pai e filho me fizeram lembrar de
uma reunião que ocorreu esta tarde para discutir o problema de evasão escolar.
Vi aqueles adolescentes revoltados, mal-educados, sem disciplina, junto de pais
desorientados por não saber qual atitude correta a tomar com eles. Agradeci a Deus pela filha que tenho. Lembrei que,
assim como Gonzaguinha, também fui uma adolescente difícil. MInha mãe, assim como Gonzagão, não tinha a receita para criar um filho, mas fez o que estava a seu alcance. Se não tinha muito tato afetivo, proporcionou a melhor educação possível. Carrego muitas
mágoas criadas neste período, e com certeza, deixei cicatrizes profundas em minha mãe.
Minha maior preocupação até hoje foi tentar fazer diferente
com a minha filha. Apesar de filho não vir com bula, acredito que tive sucesso
nisso. Distanciando-me das situações e
olhando minha vida de frente como se fosse um filme, também vejo poesia nela. Ela
não é perfeita, não tem métrica nem rima, seus versos nem sempre foram alegres
e nem sempre foram bonitos, mas dentro de um contexto só meu, ela tem poesia e
me emociona.
Se eu tivesse a oportunidade de dizer alguma coisa a minha mãe hoje, eu diria:
Eu apenas queria que você
soubesse Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queria que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte das novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...
Link: http://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/eu-apenas-queria-que-voce-soubesse.html#ixzz2EtHxNB8Q
domingo, 11 de novembro de 2012
Amanhã
Como dizia minha mãe: Nada como
um dia após o outro com uma noite espremida no meio.
Pode ser. O tempo passa e
cicatriza feridas, faz a raiva amenizar, amolece corações endurecidos. Um
momento irracional agora, pode ser pensado e pesado, e, deixado para amanhã,
pode tornar-se racional.
Mas será mesmo que se pode deixar
tudo para ser resolvido de maneira mais acertada amanhã?
Magoar alguém é como um corte que
sangra. É preciso fazer algo para estancar a hemorragia, e é preciso que se
faça o mais rápido possível. Assim como o sangue se esvai de um machucado, a
mágoa mina pelo coração. Sim, ficam cicatrizes dos cortes feitos pela mágoa.
Mas nem todos os ferimentos tem a chance de se tornarem cicatrizes. Alguns,
causados principalmente por uma língua ferina, minam de tal forma e com tamanha
rapidez, que o dia seguinte pode ser tarde demais.
Reconhecer um erro e pedir perdão
é um remédio que deve ser ministrado o mais rápido possível. Deve-se aplicar vestido de coragem e despido
de orgulho. Faz bem para ambas as almas e evita cicatrizes profundas.
Amanhã...
Quando se tem a consciência da
fragilidade humana, nada pode ser deixado para amanhã.
Amanhã cura? Mas nem sempre
amanhece.
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