Como dizia minha mãe: Nada como
um dia após o outro com uma noite espremida no meio.
Pode ser. O tempo passa e
cicatriza feridas, faz a raiva amenizar, amolece corações endurecidos. Um
momento irracional agora, pode ser pensado e pesado, e, deixado para amanhã,
pode tornar-se racional.
Mas será mesmo que se pode deixar
tudo para ser resolvido de maneira mais acertada amanhã?
Magoar alguém é como um corte que
sangra. É preciso fazer algo para estancar a hemorragia, e é preciso que se
faça o mais rápido possível. Assim como o sangue se esvai de um machucado, a
mágoa mina pelo coração. Sim, ficam cicatrizes dos cortes feitos pela mágoa.
Mas nem todos os ferimentos tem a chance de se tornarem cicatrizes. Alguns,
causados principalmente por uma língua ferina, minam de tal forma e com tamanha
rapidez, que o dia seguinte pode ser tarde demais.
Reconhecer um erro e pedir perdão
é um remédio que deve ser ministrado o mais rápido possível. Deve-se aplicar vestido de coragem e despido
de orgulho. Faz bem para ambas as almas e evita cicatrizes profundas.
Amanhã...
Quando se tem a consciência da
fragilidade humana, nada pode ser deixado para amanhã.
Amanhã cura? Mas nem sempre
amanhece.
3 comentários:
Márcia
Biólogo e, também, Professor, mas aposentado, estou reiniciando um trabalho. Visite o Ver de Vida e me dê uma ajuda, se puder. Junte-se ao espaço.
Seu texto é direto, correto e acolhedor. Parabéns!
Felicidade em sua bela jornada.
Que mais posso dizer. ADOREI.
Só espero que a inspiração para escrevê-lo não tenha sido uma experiência, mas uma observação.
Dos seus textos, esse me deixou intrigada, curiosa e pensativa.
E você tem toda razão quando diz que nada pode ser deixado para amanhã tendo em vista a fragilidade humana.
Vou compartilhar!!!
Pois é... Temos a mania de desafiar a única certeza absoluta que a vida nos dá: sua finitude.
Tento nunca deixar que nenhum mal-entendido fique espremido no meu travesseiro. Mas nem todo mundo pensa assim. E, como não depende só de uma pessoa, muitas vezes dormimos em cima das incertezas dos outros.
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