domingo, 11 de novembro de 2012

Amanhã


Como dizia minha mãe: Nada como um dia após o outro com uma noite espremida no meio.

Pode ser. O tempo passa e cicatriza feridas, faz a raiva amenizar, amolece corações endurecidos. Um momento irracional agora, pode ser pensado e pesado, e, deixado para amanhã, pode tornar-se racional.

Mas será mesmo que se pode deixar tudo para ser resolvido de maneira mais acertada amanhã?

Magoar alguém é como um corte que sangra. É preciso fazer algo para estancar a hemorragia, e é preciso que se faça o mais rápido possível. Assim como o sangue se esvai de um machucado, a mágoa mina pelo coração. Sim, ficam cicatrizes dos cortes feitos pela mágoa. Mas nem todos os ferimentos tem a chance de se tornarem cicatrizes. Alguns, causados principalmente por uma língua ferina, minam de tal forma e com tamanha rapidez, que o dia seguinte pode ser tarde demais.

Reconhecer um erro e pedir perdão é um remédio que deve ser ministrado o mais rápido possível.  Deve-se aplicar vestido de coragem e despido de orgulho. Faz bem para ambas as almas e evita cicatrizes profundas.

Amanhã...

Quando se tem a consciência da fragilidade humana, nada pode ser deixado para amanhã.

Amanhã cura? Mas nem sempre amanhece. 

3 comentários:

Anônimo disse...

Márcia

Biólogo e, também, Professor, mas aposentado, estou reiniciando um trabalho. Visite o Ver de Vida e me dê uma ajuda, se puder. Junte-se ao espaço.

Seu texto é direto, correto e acolhedor. Parabéns!

Felicidade em sua bela jornada.

Esmerail disse...

Que mais posso dizer. ADOREI.

Só espero que a inspiração para escrevê-lo não tenha sido uma experiência, mas uma observação.

Dos seus textos, esse me deixou intrigada, curiosa e pensativa.

E você tem toda razão quando diz que nada pode ser deixado para amanhã tendo em vista a fragilidade humana.

Vou compartilhar!!!

... disse...

Pois é... Temos a mania de desafiar a única certeza absoluta que a vida nos dá: sua finitude.
Tento nunca deixar que nenhum mal-entendido fique espremido no meu travesseiro. Mas nem todo mundo pensa assim. E, como não depende só de uma pessoa, muitas vezes dormimos em cima das incertezas dos outros.