quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu queria ser forte o suficiente...



Para ver um jovem amigo ir embora muito antes do combinado – como diria Rolando Boldrin – e deixar um grande vazio no peito meu e de tantos outros amigos;

Para sentir na pele a injustiça de ser tomada por louca quando tudo o que procurava era um pouco de carinho;

Para ver um homossexual morrer apenas por sucumbir à vontade de satisfazer seu desejo pouco trivial e, apenas, trocar de canal e voltar a assistir a novela;

Para ver violência gratuita e sem precedente e, simplesmente, não me abalar, apenas, continuar vivendo;

Para ver sonhos serem interrompidos e imaginar como teria sido se eles tivessem podido ter se realizados;

Para tratar com polidez quem me trata com estupidez;

Para tirar os espinhos do coração sem deixar cicatrizes;

Para suportar toda esta injustiça e conseguir ser justa com as pessoas;

Para secar minhas lágrimas sem lenços de papel.

domingo, 3 de junho de 2012

Verdades Insanas: SÓ CASCA

Verdades Insanas: SÓ CASCA: A TV é uma coisa sempre presente na minha vida. Quase sempre muda ou com o som bem baixinho, mas sempre ligada para eu ter a sensação de ...

SÓ CASCA



A TV é uma coisa sempre presente na minha vida. Quase sempre muda ou com o som bem baixinho, mas sempre ligada para eu ter a sensação de que tem mais alguém ali comigo. Às vezes, alguma palavra solta ou uma música me chamam a atenção, aí eu aumento o som e assisto. Só que informação fora do contexto nem sempre chega com o seu sentido real. Dias desses quando eu passava rapidamente pela TV vi algo sobre um blog feito por mulheres da minha idade (não vou entrar em detalhes técnicos) que estaria fazendo grande sucesso na internet. Afinal, mulheres “maduras” como eu podem ter alguns segredinhos de sua vivência que podem valer a pena de ser compartilhados. Como recente blogueira, resolvi dar uma conferida.




Elas mostram modelitos, sapatitos, joítas, que seriam sofisticados e chics no corpito de uma mulher acima dos 40. Tudo com a devida identificação da loja. Desanimei. Mas, tenho que admitir: para ganhar dinheiro a ideia é genial. É o Merchand moderno... Mas, se dependessem do meu acesso morreriam de fome.  Aí vi uma coluna “Comportamento”, pensei: é a salvação! Deve haver alguma coisa com substância aí! E tinha mesmo; preenchimento facial com botox. Então vi a coluna “Homem”, pensei: deve haver algum artigo sobre o comportamento deste ser tão complexo ao olhar feminino.  Tinham propagandas de lojas especializadas em roupas masculinas, elegantes e caras.




Ai... dei uma desanimada...
Será possível que as pessoas só se preocupam com aparência e dinheiro? Ninguém mais se preocupa com a qualidade do miolo?
Isso me fez questionar sobre críticas recentes que tenho recebido de pessoas muito próximas.  Meu namorado, minha filha e uma amiga fazem parte de uma conspiração internacional especializada em criticar meu jeito. Eles dizem que eu me visto mal e que não me cuido. Todos os três dizem que sou bonita, mas que me visto sempre como se estivesse indo pro supermercado, e que acabo me desvalorizando. Tudo bem, tudo bem... eles acabaram com o pouquinho de autoestima que eu tinha. Mas hoje, entre lágrimas e soluços resolvi reavaliar meus conceitos. Ainda acho que as pessoas devem ser avaliadas pelo conteúdo, não pela casca. Mas, considerando que o meu conteúdo também não deve ser grande coisa, resolvi dar uma melhorada no figurino.




Esses dias meu namorado disse que sou pouco feminina. Isso me preocupou. Então ele explicou que era porque eu não gostava das coisas que a maioria das mulheres gostava: fazer compras e ir ao salão de beleza. Realmente, são duas coisas que me deixam a sensação de que estou desperdiçando tempo precioso que poderia ser aproveitado em coisas mais instigantes.




Enfim, todos os extremos são perigosos. Vou melhorar meu figurino, mas salão de beleza... ah, isso é demais pra mim! Só faço o essencial, por uma questão de higiene e para não ficar parecendo uma mulher das cavernas. Mas faço um apelo: Mulheres, vamos cuidar mais da cabeça do que da bunda! E não estou falando de cabeleireiro, viu!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Povão


Eu fico meio deslumbrada aos domingos quando assisto a dois programas de televisão: um é o Sr. Brasil, que passa na TV Cultura, e o outro é o Esquenta que passa na Globo.  Ambos mostram a cultura brasileira do povão. Um de uma maneira mais elitizada e o outro de uma forma mais escrachada, mas ambos mostram a cultura musical da grande maioria da população, o que a pequena elite chama de povão, seja na roça ou na cidade, ontem ou hoje.


 O Sr. Brasil retrata a cultura popular de anos atrás, então tornou-se meio “cult”, meio “chic”, mas não deixa de ser a cultura musical do povão de anos atrás. O Esquenta retrata a cultura musical do povão nos dias de hoje, valoriza aquilo que nós, os hipócritas musicais, desprezamos: o funk, o pagode, enfim, as coisas que os pobres gostam e ouvem.

Isso me fez pensar em Noel Rosa. O sujeito da década de trinta era de classe média, mas vivia enfronhado na favela, vivendo a cultura que rolava no morro naquele tempo.  Quando Noel cantava
               
 “Agora vou mudar minha conduta,     
eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta,
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não esta sopa e eu pergunto:
Com que roupa?
Com que roupa eu vou
Pro samba que você me convidou?”

será que era tão diferente e tão mais genial do que quando Michel Teló canta

“Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego
Ai ai se eu te pego...”   ? 




Dias atrás, o Esquenta rolando na TV, então uma pessoa me disse:

_ Eu gostava da Regina Casé, mas não concordo com esta forma de programa de televisão popular que mostra a favela como sendo uma coisa boa. Os favelados vivem à margem da sociedade, são malandros e aproveitadores, querem viver à custa dos outros e do governo.

Neste momento, o plantão da Globo informou  a triste notícia de um incêndio na favela. É o segundo que vejo acontecer nesta época próxima do Natal. Este tipo de coisa me choca, porque os barracos de madeirite e papelão se incendeiam com facilidade e rapidamente consomem o pouco que é o tudo para algumas famílias. 

A pessoa então me disse:

_ Bobagem se abalar com isso! Eles fazem isso de propósito. Essa gente coloca fogo em suas próprias casas, principalmente nesta época do ano, para tocar o sentimento das pessoas e sensibilizar os governantes para que, acelerem a entrega de casas populares prontas, assentando estas famílias que nem estão inscritas em programas de habitação, às quais, depois de entregues, são vendidas, e estas famílias voltam para os mesmos lugares e constroem novos barracos formando novas favelas.

Sei que isso realmente acontece, que gente mal intencionada existe em tudo quanto é lugar. Só não se pode esquecer que este é um problema cultural, e como tal, ligado à ignorância de um povo pobre e sem instrução. Não se pode cobrar atitudes éticas e coerentes de gente que não teve oportunidade de estudar nada, muito menos pensar o significado da palavra ética.

Será que o povo da favela é tão diferente do povo da cidade? Dinheiro não é sinônimo de cultura, e gente sem ética existe em tudo quanto é lugar. Cultura não é só o conhecimento intelectual, também é o conjunto de costumes de um povo. E nada é mais bonito do que admirar seu próprio povo e ser solidário com ele.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Eu odeio meus vizinhos!

Eles se mudaram para o bairro há pouco mais de um ano. É um casal de meia idade com um casal de filhos adolescentes. Pelo logotipo na porta da caminhonete, acredito que ele deve trabalhar em uma cidade distante. Passa os dias de semana fora e, normalmente, chega no começo das noites de sexta-feira.
A primeira vez que ouvi aquele buzinaço subindo a avenida de casa, saí na janela para ver o que estava acontecendo. Dois quarteirões antes da casa ele começa a buzinar; a mulher e os filhos olham na varanda e quando veem o sujeito, abrem o portão e vão recebê-lo na garagem.  E é sempre esta festa,  toda semana. Admiro a forma como ele é recebido pela família, sinal que sentem a falta dele e que sua presença na casa é muito bem vinda.
Isto sempre me chamou a atenção, e até ontem eu tinha uma admiração por aquela família tão unida e tão carinhosa. Mas ontem foi a gota d’água, o que eles fizeram foi de revoltar a vizinhança. Estou pensando seriamente em linchamento, e acredito que outros vizinhos compartilham da minha vontade.
Eu estava indo dormir, fechando a veneziana, era exatamente meia-noite e meia, nem tão cedo e nem tão tarde, quando pela fresta da janela aquela visão me chamou a atenção; não pude tirar os olhos daquilo.
O carro dos meus vizinhos, o de passeio, não o de trabalho, estava estacionado em frente à casa deles de janelas abertas. Isso mesmo; abertas. Àquela hora da noite, na avenida, não muito movimentada, mas uma avenida de bairro. Dentro estavam os dois, aquele casal de meia-idade que dava origem àquela família feliz. Dividiam o banco do passageiro, que estava reclinado. Pelo balanço do carro, acredito que não estavam dormindo. Percebi outras venezianas semi-abertas como a minha que também observavam aquela cena. Carros desciam e subiam a rua, passando um pouco mais devagar pelo carro deles.
Pela idade dos filhos, devem estar casados há mais ou menos vinte anos. Provavelmente o quarto do casal deve ter uma cama confortável; então por quê? Para mostrar para os vizinhos que além da família feliz são também o casal perfeito? Para mostrar que sempre é tempo de reacender a chama da paixão? Para mostrar que aquele fogo da adolescência não precisa ser apagado?  Ou simplesmente para fazer inveja aos vizinhos, que como eu, passaram a odiá-los pela vontade de fazer o mesmo e não ter coragem?

domingo, 20 de novembro de 2011

Branca de Neve Vampira


Era uma vez uma mocinha muito branca chamada Branca de Neve.  Um dia uma bruxa irônica e debochada lançou um feitiço sobre a doce mocinha:  ela iria ter tudo o que todas as mocinhas desejam, amor, sexo, um dom e uma profissão estável, mas essas coisas jamais aconteceriam juntas em sua vida, o que fatalmente acabaria por causar uma grande frustração e sofrimento, levando a doce Branca de Neve ao desespero.

E foi o que aconteceu. Depois de muita angústia e sofrimento, Branca de Neve resolveu dormir um sono criogênico. Dormiu por sete anos, um sono tranquilo, sem pesadelos e sem emoções. Um dia um som ensurdecedor penetrou-lhe os ouvidos: era a música Alma do Rappa. Branca de Neve então despertou de seu longo sono. Os ferimentos causados pela maldição da bruxa deixaram cicatrizes profundas e Branca de Neve ficou meio torta e meio manca.

Um dia, Branca de Neve caminhava manquitolando pela floresta, acompanhada pelos anões, quando encontrou o Príncipe Encantado. Ele contou a Branca de Neve que ela tinha sido seu grande amor platônico, mas que antes que ele pudesse ter revelado isso a bruxa irônica e debochada lançou sobre ele o mesmo feitiço que havia lançado em Branca de Neve; hoje ele também se encontrava torto e manco.

As anomalias que ambos possuíam os impediam de seguir juntos e Branca de Neve continuou sua caminhada, acompanhada apenas por seus fiéis anões. O encontro entre os dois amaldiçoados pela bruxa causou mutações naquele feitiço tão antigo.

Um belo dia Branca de Neve notou que suas presas estavam mais proeminentes. Já não mancava mais e tinha um andar ereto e imponente. Foi se tornando cada dia mais bela e sentindo uma necessidade insaciável por sangue.

A doce Branca de Neve se transformou em uma temível vampira. Mantinha sua aparência alva e sua feição pura, mas não sofria mais com as consequências do feitiço da bruxa. Sabia que não era possível ter todas as coisas que desejava juntas, mas sua nova condição fazia dela uma predadora obstinada.

Resignada, mantinha seu árduo ofício de faxineira do castelo, mas ao mesmo tempo resolveu mostrar a todas as pessoas que conhecia seus dotes de quituteira de maçãs do amor afrodisíacas. Com o dinheiro que ganhava como diarista do castelo comprava as maças que adoçava com a calda afrodisíaca. Com o tempo suas maças afrodisíacas ficaram conhecidas em todo o reino.

A nova aparência que Branca de Neve Vampira possuía seduzia facilmente os homens que cruzavam o seu caminho. A alva vampira então se aproximava de um homem com intenção de torna-lo seu grande amor, mas seu veneno da vampira fazia com que ele morresse em seus braços. Cansada de sofrer pelos amores perdidos, mas sempre necessitando de sangue, ela passou a aceitar sua nova condição. A bela e poderosa vampira sugava até a última gota do sangue que precisava para viver e deixava com que sua vítima morresse sem ter um pingo de remorso.

A bruxa irônica e debochada, vendo a nova condição de Branca de Neve apareceu para ela e disse: Desisto, não te amaldiçoarei mais, você é pior do que eu.  E assim, a bruxa morreu de inveja e a bela e doce Branca de Neve Vampira viveu feliz para sempre.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Gata Preta e o Lobo Branco

Se tem uma coisa que eu não sou é mística. Ceticismo é meu sobrenome. No entanto, sou uma pessoa que acredita em Deus.

Deus se manifesta de formas inusitadas na nossa vida. A última que Ele me aprontou foi manifestar-Se através de uma fábula na internet.

Coincidências existem sim, mas quando elas servem pra te mostrar que você está cercado por pessoas capazes de te fazer melhor do que você é, isso é a mais pura manifestação de Deus.

Se alguém se interessar em lê-la tá aí: http://veragaspar.deviantart.com/art/A-Gata-Preta-e-o-Lobo-Branco-72365268 Mas com certeza ela não terá o mesmo significado que teve pra mim.

O que quero dizer é: Fique atento! Deus está ao seu lado, e não é dentro da igreja. Basta estar atento! Perceba-O.