quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pegou o celular paga a conta


Nada mais sociável do que sentar no bar com amigos, certo? 

Mas, e se nesse momento de descontração seus amigos estiverem olhando para seus próprios celulares e interagindo nas redes sociais?

Bom, então estão gastando tempo e cerveja à toa. Melhor seria ficar em casa e socializar pela net.

Além de irritante, acho isso extremamente grosseiro com o trouxa que está te fazendo companhia na mesa do bar.

Minha filha então veio com uma ideia que achei genial: quando ela e seus amigos vão para um barzinho, colocam todos os celulares no centro da mesa, quem pegar o celular para navegar paga a conta.

sábado, 30 de março de 2013

UM ABRAÇO


Tenho uma amiga de Campestre que eu admiro pelo jeito como ela é.  Só pra dar um exemplo, um dia eu estava na casa dela e ela me convidou para o jantar. Foi no quintal, matou uma galinha e, daí a pouco, jantamos uma espetacular galinha caipira. Acho que mesmo se eu estivesse sem comer há um mês não conseguiria matar uma galinha. Algumas pessoas têm habilidades e disposições que outras não têm. Fato. Esta é a Célia. Ela faz certas coisas parecerem muito fáceis.


No começo dessa semana encontrei com a filha dela na rua. Ela estava falando ao celular com a mãe. Pedi para dar uma palavrinha – não falava com ela há algum tempo. Ela então me disse que havia tido um câncer de mama – detectado há 3 anos - havia feito algumas cirurgias, quimioterapia e agora estava voltando a trabalhar. Com a Graça de Deus estava curada.

Fiquei chocada pelo fato de não ter ficado sabendo de nada. Numa cidade onde todo mundo fala da vida de todo mundo, onde as línguas dos fofoqueiros a mataram três vezes – conforme ela me contou – como eu pude não ter sabido?

Hoje fui até a casa dela para fazer uma visita. Conversamos muito e conversamos muito pouco. Quando saí ela me deu um abraço. Um abraço sincero de amiga. Aquele abraço que  vem com uma mensagem simples implícita: eu gosto de você. Um abraço que me fez pensar que se ela tivesse morrido e eu não tivesse podido abraça-la, este pequeno ato teria feito muita falta. Ainda bem que recebi este abraço hoje. 

A partir de agora vou mudar a forma como venho publicando neste blog.  Ao invés de esperar vir a inspiração para escrever uma crônica, vou comentar pequenos acontecimentos diários. Isto porque nem sempre tenho inspiração para escrever, e as vezes, quero muito comentar determinado assunto, mas não tenho tempo para coloca-lo dentro de uma crônica.  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Moralmente Incorreto


Nunca ouvi ninguém usar este termo “moralmente incorreto” antes, mas achei perfeito para definir relações afetivas doentias. Então passei a esbanjar esta expressão.
Na minha rotina de trabalho acabo tendo contato direto com mulheres que sofrem violência doméstica. Só no mês de janeiro, em Campestre, foram sessenta pedidos de medidas protetivas. (Você que está lendo isso, tem noção de que Campestre tem menos de 20.000 habitantes? E que, provavelmente, metade sejam mulheres.) Ao fazer o cadastro do caso, coloco o tipo de violência sofrida:  física, psicológica, moral e financeira. Normalmente os casos são de ameaça e lesões corporais, que são enquadrados como violência psicológica e física. Acho que nunca cheguei a assinalar violência moral para nenhum caso.

Ninguém assume que recebeu violência moral. Talvez porque as mulheres tenham um conceito de afeto meio distorcido (Me incluo entre essas). Muitas mulheres apanham reiteradamente de seus companheiros. A falta de amor próprio, a dependência econômica e a dependência afetiva são fatores que fazem com que estas mulheres não deixem seus companheiros nem busquem denunciá-los a justiça. As agressões vão se tornando piores, chegando até mesmo a casos mais graves como homicídio.

Mas o que quero destacar entre essas formas de agressão é a violência moral. Quantas mulheres sofrem humilhações, torturas psicológicas, são tratadas aos gritos por seus companheiros, presenciam quebradeiras, etc. Seus companheiros ainda batem no peito e dizem: “Mas eu nunca encostei a mão em você!” Como se esta violência moral ainda fosse um mérito do macho.

O grande problema é que as mulheres têm uma natureza afetiva esquisitíssima. Nem Freud, nem Darwin, nem Santo Antônio conseguem explicar. Elas se envolvem em relações doentias, têm plena consciência de que seu companheiro não está acrescentando nada em sua vida, vivem situações dolorosas, sofrem, mas têm uma dependência afetiva inexplicável por esses machos, que as impede de dar fim definitivamente a estas relações. Isso é o que chamo de situação moralmente incorreta.  Elas sabem que aquele relacionamento é negativo, mas uma força insana as mantêm ligadas afetivamente ao macho moralmente agressor.


Durante algum tempo identifiquei situações moralmente incorretas vividas por mulheres muito próximas e desconsiderei totalmente situações moralmente incorretas vividas por mim. Ao escrever isto, identifico esta característica genética predominante nas fêmeas dos humanos e me esforço para que meus genes moralmente fracos sofram uma mutação no sentido de começar a conscientizar outras fêmeas, e transformar nossos genes moralmente fracos e ainda dominantes em recessivos.

De acordo com meu amigo Charles Darwin, e sua teoria da seleção natural, os mais fortes sofrem mutações para preservar a espécie. Logo, precisamos considerar a gravidade das situações vividas por grande parte das mulheres e mostrar que temos livre arbítrio. - Vamos lá mulheres ! Chega de violência moral. Dependência afetiva é burrice. Vamos girar a roleta e fazer a fila andar. Se temos poder de escolha, nada de aceitar situações moralmente incorretas. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Segundas Oportunidades


Ano passado, vi aquele ambulante na Praça da Independência e resolvi coloca-lo como personagem chave de uma das minhas histórias. Tinha acabado de montar a trama na minha cabeça. Escreveria assim que pudesse ter paz para organizar as ideias e passá-las para o papel. Um ano depois me vi na mesma Praça anotando novamente o nome do ambulante cego, o qual eu já tinha me esquecido.

A impressão que eu tenho é de estar retomando as coisas do ponto onde pararam. Como se eu estivesse ficado um ano congelada em sono criogênico. Então, com a precisão de um relógio suíço, despertei no mesmo local onde deveria ter estado um ano antes, com as mesmas pessoas com quem eu havia furado uma ano antes, tomando a cerveja que já deveria ter esquentado por ficar me esperando exatos 365 dias.

O impressionante é que tudo estava exatamente como eu tinha deixado. A história estava parada no mesmo capítulo, as pessoas continuavam me esperando no mesmo lugar e a cerveja ainda estava gelada. Parecia que Deus havia me dado a oportunidade de retomar a vida exatamente de onde eu tinha parado em 2012. Se os acontecimentos tivessem ficado por aí já seria motivo para chamar a atenção para o fenômeno que estava acontecendo; mas não. Foi uma sucessão de acontecimentos que estão mudando radicalmente o rumo da minha vida. Como se em 2012 tivesse realmente acontecido o fim de um mundo e 2013 estivesse nascendo novo, todo modificado. Todas as áreas que compõem a minha vida foram alteradas para melhor. Como se Deus tivesse me dado a oportunidade mágica de voltar no tempo e corrigir as coisas erradas, dando-me acontecimentos iguais de presente, um atrás do outro, numa sucessão de correções.

Quando disseram que o fim do Calendário Maia não significava o fim do mundo, mas o começo de uma nova era, não botei fé nisso. Sou muito cética com relação à coisas exotéricas. Mas o fato é que a minha vida virou de cabeça para baixo. Ou será que agora é que ela está de cabeça para cima?  Como boa mineira, ainda estou olhando de esgueio para minha própria vida, meio desconfiada. O interessante é que, mesmo cética, tenho uma certeza interior de que as mudanças estão apenas no começo. Uai, bão tamém! 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Viver sem tempos mortos

Este texto é simples e muito verdadeiro. Belíssimo! 


"A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."


( Simone de Beauvoir)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Desci porrada

Aquela mulher chegou na Promotoria dizendo que queria retirar a representação feita contra o marido. Ele estava preso desde sábado por ter ameaçado a esposa.

Pensei: Mais um daqueles casos em que a mulher sofre violência doméstica, mas por causa de uma estranha dependência afetiva, fica com pena do infeliz e procura tirá-lo da cadeia.

Enquanto pegava as declarações dela, perguntei se ela gostaria de alguma medida protetiva para garantir que ele ficasse longe dela. Ela disse que não.

Pensei:  Já quer o infeliz de volta...

Eu estava enganada. Que ótimo!

Ela disse que não queria medida protetiva pois estava indo morar com sua irmã em outra cidade. Que estava retirando a representação porque a família dele tinha pedido. Perguntei se ela não tinha medo dele persegui-la quando saísse da cadeia. Ela disse que acreditava que ele não ia mais importuná-la.

Saindo, já na porta ela disse: Apanhei durante 10 anos em silêncio. Entrei no jiu jitsu e sábado, quando vi que ele ia me bater, desci porrada e acabei com a raça dele. Ele está lá na cadeia todo roxo.

ADOREI!!!