Nunca ouvi ninguém usar este
termo “moralmente incorreto” antes, mas achei perfeito para definir relações
afetivas doentias. Então passei a esbanjar esta expressão.
Na minha rotina de trabalho acabo
tendo contato direto com mulheres que sofrem violência doméstica. Só no mês de
janeiro, em Campestre, foram sessenta pedidos de medidas protetivas. (Você que
está lendo isso, tem noção de que Campestre tem menos de 20.000 habitantes? E
que, provavelmente, metade sejam mulheres.) Ao fazer o cadastro do caso, coloco
o tipo de violência sofrida: física,
psicológica, moral e financeira. Normalmente os casos são de ameaça e lesões
corporais, que são enquadrados como violência psicológica e física. Acho que
nunca cheguei a assinalar violência moral para nenhum caso.
Ninguém assume que recebeu
violência moral. Talvez porque as mulheres tenham um conceito de afeto meio
distorcido (Me incluo entre essas). Muitas mulheres apanham reiteradamente de
seus companheiros. A falta de amor próprio, a dependência econômica e a
dependência afetiva são fatores que fazem com que estas mulheres não deixem
seus companheiros nem busquem denunciá-los a justiça. As agressões vão se
tornando piores, chegando até mesmo a casos mais graves como homicídio.
Mas o que quero destacar entre
essas formas de agressão é a violência moral. Quantas mulheres sofrem
humilhações, torturas psicológicas, são tratadas aos gritos por seus
companheiros, presenciam quebradeiras, etc. Seus companheiros ainda batem no
peito e dizem: “Mas eu nunca encostei a mão em você!” Como se esta violência
moral ainda fosse um mérito do macho.
O grande problema é que as mulheres
têm uma natureza afetiva esquisitíssima. Nem Freud, nem Darwin, nem Santo
Antônio conseguem explicar. Elas se envolvem em relações doentias, têm plena
consciência de que seu companheiro não está acrescentando nada em sua vida,
vivem situações dolorosas, sofrem, mas têm uma dependência afetiva inexplicável
por esses machos, que as impede de dar fim definitivamente a estas relações.
Isso é o que chamo de situação moralmente incorreta. Elas sabem que aquele relacionamento é
negativo, mas uma força insana as mantêm ligadas afetivamente ao macho
moralmente agressor.
Durante algum tempo identifiquei
situações moralmente incorretas vividas por mulheres muito próximas e
desconsiderei totalmente situações moralmente incorretas vividas por mim. Ao
escrever isto, identifico esta característica genética predominante nas fêmeas dos
humanos e me esforço para que meus genes moralmente fracos sofram uma mutação
no sentido de começar a conscientizar outras fêmeas, e transformar nossos genes
moralmente fracos e ainda dominantes em recessivos.
De acordo com meu amigo Charles Darwin,
e sua teoria da seleção natural, os mais fortes sofrem mutações para preservar
a espécie. Logo, precisamos considerar a gravidade das situações vividas por
grande parte das mulheres e mostrar que temos livre arbítrio. - Vamos lá
mulheres ! Chega de violência moral. Dependência afetiva é burrice. Vamos girar
a roleta e fazer a fila andar. Se temos poder de escolha, nada de aceitar
situações moralmente incorretas.
